
À Bá é ao LM
No matrimónio, o
sacramento está no “eu te recebo por minha esposa”, em nome da Santíssima
Trindade. São essas palavras que os tornam esposos. É o culminar de uma
caminhada. O amor tem em si a dimensão da eternidade. Por isso qualquer separação
provoca traumatismos mortais. A solução é reconciliar-se, isso é que recria,
isso é que relança para um futuro em construção. (Adaptado)Era uma vez um rapaz que tocava viola. Era uma vez uma jovem que tocava também.
Eram filhos de um
Deus maior. Aquele Deus que tudo pode, tudo sabe e ama como nunca ninguém soube
ou saberia amar. Filhos muito amados de um Pai que não hesitara um segundo em
fazer descer o seu Filho para que morresse, de braços abertos, a abraçar o
mundo, para que o mundo fosse salvo. E eles não só sabiam isso como também
acreditavam nisso.
Um dia, Deus
adormeceu. E sonhou. Sonhou com um grande amor, um amor capaz de amar, de
trazer felicidade e de dar frutos. Um amor improvável. Ele, alto e de forte
estrutura, ela, pequenina e magrinha. E Deus sonhou. Quis. Desejou. E quando
acordou, pô-los no caminho um do outro, através de um grupo que para eles seria
decisivo. Foram a mil e um lugares. Percorreram quilómetros. Muitos
quilómetros. A pé, foram desde logo 125. Mas muitos mais foram feitos. De
Oeiras, semanalmente. Da terra dele à terra dela, a cada sexta-feira. Porque de
uma ajuda inicial, o grupo tornou-se viral. Viciante. Doentio. Mas de uma
doença de que tanto ele como ela gostavam de padecer. E nós também. E, naquela
altura, ninguém imaginaria os sonhos de Deus.
Passaram três anos.
E no regresso de mais uma viagem, tinham percebido a iniciativa e o desejo de
Deus para eles. E foi num ambiente de alegria que todos foram recebendo a
notícia. E com a mesma alegria que foram partilhados mais e mais quilómetros.
1034, num fim-de-semana para ir ao encontro do Pai sonhador que os juntara.
Um dia, caiu a
notícia. Ele tinha-lhe oferecido a possibilidade de seguir adiante com aquele
amor. Era hora de ela usar no dedo o símbolo de um compromisso que eles se
preparavam para assumir. Ela aceitou. Ele exultou. Sempre iguais a si-mesmos,
deram a notícia aos amigos. Nova dose de alegria. Nova dose de festa. E de
oração. Durante meses, o dia foi pensado, sonhado, preparado, alinhavado.
Desenhado.
Eis que chega o
dia. Em casa dela, a conversa vai animada. Ela está a preparar-se e os amigos
já vão comendo qualquer coisa, em animada conversa. Estão lá todos. Ou quase. E
os sorrisos são claramente o cartão de identidade. Mais do que um chão para
rezar, um chá para beber ou um abraço para dar, hoje é dia de emoção, de
alegria. As comezainas que se adivinham são pormenor. A Missa, essa, foi
preparada com um afinco bem diferente do habitual. Ainda só por outra vez assim
tinha sido, mas o conto aí é outro.
Ela aparece. De
vestido simples mas deslumbrante, tiara e véu. Parece uma rainha. É uma rainha.
A rainha do dia. Está com um ar profundamente feliz. E merece. Passados uns
minutos, o aviso está lançado: é preciso ir para a Igreja porque ele já vem
percorrendo mais quilómetros. Eis que a hora se aproxima.
A celebração é
marcada por gestos. E não apenas os da Liturgia... Um aceno sorridente para o Coro, um obrigado sussurrado
entre lábios, um passeio imprevisto a meio de uma celebração, uma oração rezada
com profunda emoção, a entrega de um ramo. E os ritos. Os que são comuns a
tantos casamentos. Só que este casamento concreto foi diferente. Foi vivido com a certeza de serem
filhos amados do Pai. Com uma fé tal que os fez cantar o refrão do salmo e trocar
olhares com quem amam.
Em certa medida, a construção de um casamento é semelhante à construção de uma viola. É preciso um desejo, é necessário um projeto e é desejável que haja amor na construção. Depois, qualquer viola precisa de cordas. As cordas de uma viola são essenciais para que haja música. É preciso esticá-las, readaptá-las, afiná-las para que a harmonia aconteça. Cordas que se conjuguem entre si e sejam capazes de criar algo de concreto e de belo. Algo que constitua um projeto que permaneça e que seja capaz de ser constantemente revisto, reavaliado e embelezado. Até que chegue a perfeição e a obra se torne estática, na memória de todos aqueles que tiveram a sorte de se cruzarem com a obra. E, quiçá até, de se deixar tocar por ela.
Deus colocou duas cordas nesta viola. Chegam para que haja a mais bela de todas as músicas. Basta que seja Deus a tocá-las. E que elas se deixem esticar, adaptar, afinar. E outras cordas serão adicionadas, à medida do desejo de Deus.
Em certa medida, a construção de um casamento é semelhante à construção de uma viola. É preciso um desejo, é necessário um projeto e é desejável que haja amor na construção. Depois, qualquer viola precisa de cordas. As cordas de uma viola são essenciais para que haja música. É preciso esticá-las, readaptá-las, afiná-las para que a harmonia aconteça. Cordas que se conjuguem entre si e sejam capazes de criar algo de concreto e de belo. Algo que constitua um projeto que permaneça e que seja capaz de ser constantemente revisto, reavaliado e embelezado. Até que chegue a perfeição e a obra se torne estática, na memória de todos aqueles que tiveram a sorte de se cruzarem com a obra. E, quiçá até, de se deixar tocar por ela.
Deus colocou duas cordas nesta viola. Chegam para que haja a mais bela de todas as músicas. Basta que seja Deus a tocá-las. E que elas se deixem esticar, adaptar, afinar. E outras cordas serão adicionadas, à medida do desejo de Deus.
Era uma vez um
rapaz que tocava viola. Era uma vez uma jovem que tocava também. Um dia,
decidiram tornar-se a viola de Deus. E parece que vão ser felizes por muitos
anos.
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