Aqui há dias, ouvi a tua Serenata. Aquela que há já alguns anos esperei com tanta ansiedade... E à meia-noite daquele dia, quando os primeiros acordes se fizeram ouvir, soou no meu peito a saudade que tenho do Mondedo, da tua Baixa, da Sé Velha, da Universidade e dos anos em que vivi aí. O ecrã do meu computador era como que a janela de uma varanda aberta sobre o largo da Sé, enegrecido naquela noite pelos milhares de capas daquele mar de gente... Estudantes que, ora pela primeira, ora pela última ali se encontravam, para celebrar o facto de viverem os seus anos de estudantes na mais bela de todas as academias... Durou uma hora e tal e foi-me possível reviver a minha última Serenata e voltar a chorar como se fosse eu um dos finalistas... Marcas da Saudade que deixas... Quando as guitarras e vozes se calaram, o Grito Académico...E milhares de fitas agitadas ao vento a encher de cor o largo da velha Sé que todos os anos parece esperar por este dia...
E assim começou a semana em que te vestes de festa e de cor, quer nos olhos dos estudantes que abrigas, quer nas cores das faculdades que nos carros florescem. Quer nas bengalas e cartolas dos finalistas, quer nas Fitas escritas com amor se penduram nas pastas negras e já gastas que os Finalistas passeiam por aí. Cores que te enfeitam e vestem de Gala...
Tentei fazer o exercício de recordar os meus anos aí, os amores e desamores, os disparates e as coisas boas, as derrotas e vitórias, as lágrimas e os sorrisos... E chorei... Chorei a saudade de tempos que não mais voltarão, de gentes que nunca mais verei e de outros que vou vendo de quando em vez, onde nem tão pouco me passaria pela cabeça vê-los... O meu amor por Ti, ó Lusa Atenas, exprime-se agora pela saudade que vou tendo de ti, dos sorrisos que aí partilhei, do quão feliz tu me fizeste sem ter uma plena noção do quanto iria sentir a tua falta num futuro que hoje se me fez presente... Descobri que realmente tens mais encanto na hora da Despedidia... E trouxe em mim guardado... O choro de uma balada... Porque te amo como nunca amei uma mulher...

A semana foi passando, os dias foram correndo e fui-me lembrando que continuavas em festa. E as recordações passaram mais uma vez diante dos meus olhos. Fui ver as fotografias daqueles áureos tempos em que era teu e reparei num cantinho do meu armário... Lá estava ela pendurada... Ela que me envolveu em tantas noites, ela que me dava tanto orgulho, ela que tem mil e uma histórias para contar... Ah, a minha capa velhinha... Tantas memórias temos juntos! Tantos momentos vividos com a intensidade de quem sabe que aqueles dias nunca mais voltam... Tanto amor àquilo a que alguns chamam um velho pano preto mas que para mim foi casaco nas noites frias, guarda-chuva nos dias de chuva, toalha nas garraidas, abrigo para os meus caloiros, quando a trupo passava... Aquele velhinho pedaço de pano preto é como que um manto inefável de memórias e momentos que atravessa a intemporalidade da saudade para me recordar, a cada momento que passa, o quão fui feliz quando fui teu, minha doce Coimbra, minha amada Lusa Atenas...
Hoje, sempre que olho para qualquer rio com que me cruze, revejo o teu reflexo nas águas do Mondego e pergunto-me, baixinho e entre dois suspiros, quando te voltarei a encontrar... E no amor que ponho em cada recordação, imagino-me a caminhar-me pelas tuas ruas, a sorrir como um puto a quem deram o melhor presente do mundo... E assim será o nosso reenconto. Quando Deus quiser que seja. Daqui até lá, continuarei a fazer como fazem os enamorados: a sonhar com aquele que amam...
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