sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Os olhos das Gentes

Das coisas para onde gosto mais de olhar quando encontro uma pessoa é para os seus olhos. Porque os olhos são geralmente de uma grande eloquência. Porque os olhos contam as feridas e as alegrias das pessoas. Porque os olhos são uma porta aberta para a alma. Uns dizem que espelham. Mas o espelho mostra uma imagem invertida. Os olhos não. Os olhos não deixam mentir aquele a quem pertecem.
Um olhar triste não pode esconder-se atrás de um sorriso, por maior que seja. Por isso gosto imenso de olhar as pessoas nos olhos. Não porque as queira invadir mas porque gosto de as perceber. Até porque não sou de me intrometer...
Os olhos têm a qualidade de que gosto mais nas pessoas: a sinceridade. Os olhos das gentes dizem a verdade, sem medo, sem possiblidade de mentiras. Por isso tanta gente tem medo de olhar olhos nos olhos. Por isso há aquele código de conduta no metro em Paris: nunca olhes ninguém nos olhos... Porque quando olhas alguém nos olhos, facilmente entras no mundo desse alguém e percebes...
Dos olhares de que mais gosto são os olhares de cumplicidade, de companheirismo. Aqueles olhares que dispensam palavras pelo simples facto de que elas se tornariam redundantes. Mas são olhares que dizem tanto... Há quem lhes chame telepatia... Prefiro chamar-lhes fraternidade. Fraternidade porque só gente muito próxima consegue ler este tipo de olhares. Muitos podem perceber que algo se passa... Mas só alguém mesmo muito próximo decifrar a mensagem que veículam...
Há depois o olhar cintilante da felicidade...Naqueles dias especiais em que os olhos vestem o seu fato de gala e a felicidade fica patente. São os olhos dos namorados que se encontram num cais de desembarque, são os olhos dos noivos no casamento, são os olhos dos amigos que se revêem passados anos... São olhos de quem vive uma felicidade autêntica como a da mãe que abraça o filho que acaba de nascer...
Não menos impressionantes são os olhos vazios de quem perdeu um ente querido ou os olhos tristes de quem anda perdido no mundo, sem trabalho ou sem esperança... Olhares sem expressão, olhares sem luz... Baços, sem brilho... Como se a via estivesse suspensa. Como se deixassem de existir... 
Os olhos das gentes são portanto um belíssimo mundo a explorar. São lugar de encontro com a verdade de cada pessoas que se encontra connosco nesta vida. São uma dádiva. São a possibilidade de um abraço, de alegria ou consolo... Basta saber ler o que os olhos trazem neles escrito...

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