É mesmo verdade. Há já três dos meus colegas de casa que foram ordenados padres. É uma coisa que me vai sempre trazendo alguma comoção. Porque olho e vejo ali vidas concretas a ser arrebatadas por Jesus numa espécie de toque que, se de mágico nada tem, carrega em si uma carga de mistério de tal forma transversal a tudo, da vida à própria Liturgia que transforma ontologicamente aqueles rapazes em Homens de Deus. Em padres. E olho para mim. Ecoa a frase do Reitor do Seminário, repetida pelos demais padres que me vão ajudando a formar: "Tens consciência de que para o ano serás o mais velho da tua Diocese no Seminário?". Eis que vou percebendo a velocidade com que isto tudo se vai aproximando. Metade do caminho está feito. E quanto mais os anos passam, maior a sensação de rapidez, de velocidade. Da fugacidade crescente de cada segundo, que me projecta num futuro ao mesmo tempo tão distante mas ao mesmo tempo tão... cada vez mais próximo.
Assim surge aquele medo, ainda que meio disfarçado porque sem a pressão de um "é para agora" de correr o risco de deixar o tempo e as coisas como que "escorregarem", de passar ao lado de muita coisa que seria importante, de me esquecer de outras e de construir mal o meu "terreno de jogo".
Havia o hábito em mim de pensar no que estariam a pensar aqueles que estão a ser ordenados. Hoje vi isso no prisma dos colegas de curso. Como será assistir à Ordenação daqueles que o Pai me deu para caminhar comigo? Como será ver cada um deles prostrado no chão da igreja, como será vê-los a ser revestidos com as vestes sacerdotais? E chego sempre à mesma conclusão: muitas lágrimas correrão nesse ano. De felicidade, de emoção e de amor. Por aquele amor de quem quis dizer sim e quis dizê-lo rodeado de outros, sem saber exactamente porque razão ele e não outro qualquer melhor que ele mas com a certeza de uma opção feliz. E isso é tão apaixonante como intrigante. Confesso.
Sem comentários:
Enviar um comentário