Amanhã faço anos. 29 anos. São alguns já e nem me apercebi de que tinham passado por mim o equivalente a cerca de um terço da minha vida (sou optimista). E ontem à noite num momento de descontracção antes de ir dormir, estava a pensar no que me move. Ontem foi um dia complicado, onde pensei muito e rezei por aquele menino do post anterior e no como uma simples corrente de oração me deixou tão pegado a ele mesmo sem nunca o ter visto ao vivo. Eu conhecia-o, tinha notícia dele todos os dias, sabia das coisas que se iam organizando por ele... Desde 29 de Abril que andava com ele na palma da mão, a rezar por ele e a pensar nele. Dia após dia.
Sabia que ele morreria provavelmente. Mas nas últimas semanas as notícias tinham sido tão animadoras... Melhorias nas análises, sorrisos... E, de repente, a morte entrou naquele quarto e arrebatou para o céu o Rodriguinho... Acabou a vida terrena, acabou a alegria do mano em poder brincar com ele... A mãe sente o regaço vazio daquela presença que o Rodrigo deixou vaga e que o Alexandre nunca vai poder preencher...
E a vida é mesmo assim...
Mas conto isto tudo e reflicto nisto tudo porque cada vez penso mais no que será o meu futuro, nos porquês da minha vida, nas razões que me levam a querer ser padre. Quero gastar-me, consumir-me por amor a Jesus e aos outros. Quero que Ele faça sentir a estas mães que vão continuar a perder filhos que eles estão no céu, a brincar com o Rodrigo. Quero estar lá quando os filhos perderem as mães, quero sentir e associar-me à dor desta gente. Mas quero sorrir e emocionar-me em cada baptismo, quero dar Jesus Eucaristia a toda a gente, quero falar abertamente do Filho de Deus aos jovens, aos velhinhos, aos casais, quero amar, amar, amar...
Chorar a morte de um menino desconhecido... Como o pai chora a morte de um filho... É isto que quero...
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