Mais uma noite no Tivoli, mais um espectáculo sobre Wojtyla. A quarta vez que vejo este musical. A quarta vez que passar em revista a vida deste homem, que em breve espero ver nos altares como Santo.
Não há de facto em mim espaço para duvidar um segundo que seja que é como ele que eu quero ser padre. Um padre desapegado do superficial, um padre que deseja ardentemente estar rodeado de gente jovem, que se preocupa com o mundo que sofre, que "chora para dentro" com a miséria dos outros, compassivo e seguro de que o verdadeiro amor é aquele que nos faz sair de nós.
Karol Wojtyla foi bem mais do que "o Papa". Karol Wojtyla foi um exemplo a seguir, uma presença capaz de converter só com um olhar, um olhar que penetrava a alma, que nos punha em contacto com Jesus porque vivia genuinamente, sem se preocupar em saber se a sua batina estava remendada ou se os sapatos estavam rotos. O que importava a Karol Wojtyla era que todos fossem capazes de sentir o amor de Deus, o amor verdadeiro que faz continuar o acampamento com os jovens mesmo depois de saber da sua nomeação episcopal.
Karol Wojtyla foi um Bispo que continuou preocupado com os jovens que acompanhava: casou-os, baptizou-lhes os filhos, enterrou-lhes os pais. Karol Wojtyla foi João Paulo II, o Papa que não se fechou em casa nos corredores do Vaticano mas que correu o mundo à procura do Povo de Deus. E que deu tudo. Até ser arrebatado para o Paraíso.
Eu não quero ser Papa. Nem quero tampouco ser Bispo porquanto não sinto que se adeqúe à minha personalidade. Mas quero ser esse padre que Wojtyla foi até morrer. Alguém que pode dizer antes de morrer: "Procurei-vos. Agora sois vós que viestes a mim. Agradeço-vos.". Reparem: ele não pediu nada. Procurou e agora agradece. E morre no dia seguinte. Sem nunca ter pedido nada. Deu, só deu. Mais nada

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