terça-feira, 29 de outubro de 2013

O sabor de uma cerveja

Ontem fui beber uma cerveja gelada. Com alguns bem próximos de mim. E redescobri o sabor de uma cerveja. Não pela marca, não pela cerveja em si mas por aquilo que ela potenciou. O sabor de uma conversa mais ou menos prolongada, em torno de temas até algo banais mas que soube a partilha, a arejamento, a bem-estar. 
Creio que podemos viver dias a fio com determinadas pessoas mas que, quando não temos momentos autênticos como aquele, nunca chegamos a conhecer pessoalmente essas pessoas. Reparem, não sei se já pensaram nisso, mas, eu reparo nisto frequentemente. Vivemos na mesma casa, damos os bons-dias, rezamos juntos (ou nem por isso, mas isso agora não interessa própriamente para aqui), tomamos o pequeno-almoço e saimos para a escola ou para o trabalho. À noite voltamos, partilhamos o dia, jantamos juntos, passamos a serão mais ou menos juntos, entre internet e televisão, os casais até dormem juntos. E pronto. Não houve tempo para uma coisa mais descontraída. Cumprimos a nossa rotina e acabou. Nem pensamos que poderia ter sido diferente. E já não digo que se tenha de sair de casa. Prolongar um jantar para ter tempo para o outro muitas vezes nem nos passa pela cabeça... São rotinas tão vincadas, que nem nos lembramos que poderia ser diferente! Mas quando há novidades, é um espanto, uma festa, uma alegria. Basta olhar para as atitudes do Papa Francisco e para o que isso provoca nos homens do nosso dia!
Ontem decidi que ia ser diferente. Melhor, decidimos. E fomos estar juntos por uns momentos.
E esse, sim,  foi o sabor delicioso daquela cerveja.

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