terça-feira, 29 de outubro de 2013

Carta a Francisco de Assis


Caro amigo, 

Num tempo em que o consumismo e o mundo anda às reviravoltas constantemente. Quando o dinheiro é tudo para tantos, quis desta vez falar-te. Porque me impressionas e porque também estive contigo este ano e, na mais pura das verdades, foi por ir ter contigo que fomos a Itália. 
Impressiona-me a tua história e desejava ser como tu. Desejava abrir a pestana e despir-me na praça pública para dizer que só quero a providência, que rejeito o que o mundo me dá para abraçar o que é de Deus. Sim, queria mesmo fazer isto. Ser capaz. Tu foste capaz aos 25 anos. Ajuda-me a ser aos 30. 
Claro, tu bem sabes que o despir não é assim tão literal. Mas a verdade é que também tenho a sorte de ser ajudado ao passo que tu foste acusado. Francisco, o que eu quero é ser pobre de coração. Capaz de me abster de coisas materiais para me virar sempre mais e mais para coisas de Deus. Um companheirismo tal que seja capaz de O compreender cada vez melhor e mais claramente. Desejo... Quero...
Confesso-te que o meu querer se caracteriza porém como a maioria dos quereres do meu tempo, um querer ávido nas coisas do imediato e do fugaz mas um querer muito, demasiado lento nas coisas que perduram, nas transformações efectivas do coração e da alma. Se queres que te seja sincero, isso é das coisas que em mim mais me custa. O de não ser capaz de uma mudança radical e profunda, de uma conversão absolutamente radicada em Jesus e enraízada na Palavra. É como que um espinho que me fere na carne, ao jeito de S. Paulo. 
Ora, amigo, é por isso que te escrevo. Porque sei que vives bem pertinho de Jesus e que lhe podes pedir que dê uma mãozinha. A mim, claro, mas ao mundo de modo geral. Porque sinto que os homens de hoje cada vez mais fecham o coração à vontade de Deus, não ligam, não crêem. E mesmo os que crêem continuam paganizados por ideias que não correspondem a uma fé verdadeira e digna de que confia em Jesus. Para teres uma ideia: ainda ontem numa determinada aula um determinado professor chamava à atenção para o facto de chamarmos Última Morada a um Cemitério e dizermos Último Adeus ao defunto quando o levamos a enterrar. Como se não houvesse Vida Eterna e se a palavra adeus não quisesse dizer que nos iremos reencontrar em Deus. E que por isso não há último... Mas primeiro! Repara como as pessoas misturam reiki com Missa ou como qualquer música budista ajuda os crentes a rezar... Misturam-se coisas como nunca! Já para não falar no New-Age... Bem, mas não era bem para isso que te estava a escrever...
Esta a escrever-te porque, meu querido amigo, queria pedir-te que nos ensinasses a pôr em prática aquilo que é a tua oração. Amar mais e melhor, numa relação gratuita com o meu próximo, sem esperar grandes coisas! Sim, Francisco, ajuda-nos nisto porque, se sabemos de verdade a teoria, a verdade é que o colocar em prática se torna cada vez mais árduo e complicado! Era fundamental que pudesses inspirar-nos de novo como inspiraste tantos e tantos homens a seguir-te ao longo dos primeiros anos da tua experiência de Deus. Como inspiraste Clara! A ser puros, sinceros... E a ter uma proximidade com Deus e com a Criação tal que lhe dêmos prioridade sobre tudo o que é material, tal que aprendamos a olhar mais para o lado, onde outros sofrem, muitas vezes em silêncio, em vez de olharmos para nós, para o nosso egoísmo e para o nosso umbigo!
Amigo, não te incomodo mais... Tens muita gente a falar contigo diariamente! Mas sei que a todos escutas com a mesma força de sempre!
Um abraço, 
L.

Sem comentários: