Lisboa, 17 de Outubro de 2013.
Meu querido Karol,
Queria poder dizer-te algumas coisas. Que não disse porque não fui capaz ou porque não deixaram que te dissesse. Mas eu preciso de te dizer isto. Ansiei várias vezes pelo nosso encontro, imaginei-o mas nunca pensei que fosse assim... Ontem, fez 35 anos que foste escolhido para ficares à frente da Igreja de Jesus. Mal se deu por isso. Talvez porque o teu sucessor tem sido espectacular... Como tu.
Lembro-me da manhã do nosso encontro.5 de Agosto de 2013. São oito e pouco da manhã quando o meu coração bate a repique: estou em São Pedro e vou entrar na Basílica. Com pessoas que amo profundamente. Sabes? Passo em frente à grande Pietá de Michelangelo e mal reparo nela. Há outra coisa que me atraí, como um íman: o teu sepulcro. Depressa entendo que o nosso encontro vai ser adiado porque estás "ocupado": há missa com um grupo de jovens polacos de t-shirt amarela. A visita à Basílica irá então prosseguir. Mas eu sei que quero voltar para falar contigo. Conhecemos o Don Marco e temos a Graça de irmos ao Scavi de S. Pedro. Com a graça de vermos a beleza de Roma a partir da Cúpula. Regressamos à Basílica e dirijo-me ao teu túmulo. Ajoelho-me. E choro. Peço-te que me ajudes a ser como tu! Hoje percebo um pouco melhor o alcance do teu pedido: ser como tu é ser como Jesus. E rezo, sempre de olhos molhados, sem ter noção do tempo. De repente, uma mão no meu ombro: o meu melhor amigo chama-me: é preciso ir embora. Teria ficado ali horas a fio, contigo mas tenho de me despedir.
Sabes, Karol, pagava mesmo para ter passado ali mais tempo. Porque ouvira já dizer que a tua presença envolvia, que o teu olhar transformava, que tudo em ti transportava acolhimento. Muitas vezes penso que gostaria mesmo muito de ter privado contigo. Que talvez viesse a ser uma pessoa melhor. Só que o que eu pensava era que essa presença se relacionava com a tua vida na terra... O que eu nunca imaginei foi que viesse a sentir aquela envolvência tão forte e tão marcante junto do teu túmulo! Nunca pensei que depois de morto pudesses ter tanto para me dizer, para me ensinares. Nunca imaginei tampouco que me acolhesses assim e me transmitisses tanto amor, tanto carinho, tanta atenção! Senti-me abençoado Karol! Abençoado por ti! Por estar ali, contigo, pela primeira vez e logo rodeado por aquelas pessoas! Por sentir que me convidavas a voltar ali quando quisesse, perto de ti, e que estarias sempre disponível para me acolheres! E que, mesmo que a vida não me permitir voltar a Roma, tu estás comigo! Senti-me abençoado porque senti como que uma garantia de que rezavas por mim junto do Pai, esse Pai que tanto amaste, e que confias nas mãos de Maria, a quem disseste o teu Totus Tuus, este caminho a que me propûs quando o Senhor Jesus me convidou a segui-Lo.
Karol, gostava de ter sido olhado por ti. Porque sei que ele me teria ajudado a olhar mais objectivamente para mim mesmo. Porque sei que ele me ensinaria a olhar com mais amor para todos os que se vão cruzando comigo. Gostava que me tivesses tocado. Para que a santidade me tivesse tocado. Para que o teu abraço me fizesse sentir abraçado por Jesus. Para que a tua Benção me ensinasse a abençoar.
Karol, confesso-te que estou com arrepios enquanto te escrevo. Gosto de imaginar que estejas a ler enquanto te escrevo. Sabes, a vantagem de escrever a um Santo é ter a certeza de que a nossa carta vai ser lida. Por isso e por outras tantas coisas... Obrigado!
Com muita amizade e gratidão!
Este teu amigo,

2 comentários:
simplesmente lindo luis... lembro-me perfeitamente de estarmos de mãos dadas a ver o Wojtyla e perceber realmente a maneira como este Homem te é tanto, e nessa altura passou ainda a ser mais para mim. Estava ao lado de um dos pequenos milagres que ele foi fazendo ao longo da sua caminhada ca na terra. Estava ao teu lado. É espetacular ver o que ele fez por ti, o que ele faz por ti. Ver a maneira como te transforma :) Continua assim amigo, grande e humilde. Com amizade ;)
Obrigado miúda! Sabes quanto são importantes para mim!
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