De mãos erguidas ao céu
Levantas os olhos já baços
De quem já vive tão pouco
Que nem consegue falar
Longos minutos suspenso
No madeiro do suplício
Qual árvore fecunda
Que salva todos nós
Teu sangue é a seiva
Que a árvore alimenta
Teu corpo é o fruto
De sabor amargo e puro
Teus olhos agradecem
Os cravos que te cravaram
Teus lábios murmuram
A obediência perfeita
Levantas os olhos já baços
Voltas a agradecer
E entregas um último grito
Para que eu me salvasse
No madeiro do suplício
És agora corpo morto
E desces à procura
De quem já se perdeu
Que a árvore alimenta
É o sangue que escorre
E a água purifica
Os lugares onde toca
Os cravos que te cravaram
Já te foram retirados
E no túmulo encerrado
Já começa Tua vitória
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