quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A Paixão do Senhor

De mãos erguidas ao céu
Levantas os olhos já baços
De quem já vive tão pouco
Que nem consegue falar

Longos minutos suspenso
No madeiro do suplício
Qual árvore fecunda
Que salva todos nós

Teu sangue é a seiva
Que a árvore alimenta
Teu corpo é o fruto
De sabor amargo e puro

Teus olhos agradecem
Os cravos que te cravaram
Teus lábios murmuram
A obediência perfeita

Levantas os olhos já baços
Voltas a agradecer
E entregas um último grito
Para que eu me salvasse

No madeiro do suplício
És agora corpo morto
E desces à procura
De quem já se perdeu

Que a árvore alimenta
É o sangue que escorre
E a água purifica
Os lugares onde toca

Os cravos que te cravaram
Já te foram retirados
E no túmulo encerrado

Já começa Tua vitória

Sem comentários: