Estamos a caminho do
Natal. Em nossas casas, já há luzes, árvores enfeitadas e o tradicional
presépio que, em muitos casos, ainda aguarda a figura do Menino Jesus. Para
muitos de nós, fomo-nos preparando para o Natal com o ritmo da Igreja, que nos
ajuda, com confissões, bênçãos dos meninos ou, até, de presépios, com as velas
da coroa a ficarem todas acesas, umas atrás das outras, semana a semana.
Fomo-nos preparando à medida das nossas capacidades. E aguardamos o Natal, de
olhos postos no presépio, onde ainda falta o menino.
O presépio nasce com São
Francisco de Assis, em Greccio, Itália, no ano de 1223. Foi o meio que
encontrou para ajudar o povo de Deus a celebrar com mais fervor e com uma maior
compreensão o que se celebrava no Natal. Naturalmente, a ideia foi-se
propagando e conta-se que no Século XVIII, o Rei Carlos III o trouxe para a
Península Ibérica, acabando por ser comum encontra-lo em casas de todo o mundo
nos séculos XIX e XX. Inspirado nos relatos do Evangelho, é, em todas as casas
cristãs, presença obrigatória na quadra natalícia.
Mas podemos ir mais
longe: o presépio tem em si uma antevisão da cruz: este menino, deitado onde
comem os animais, é o Deus feito Homem que se dará em alimento, no Pão dos Anjos,
vindo do Céu. Deus faz-se alimento desde o seu nascimento até à Sua morte. É o
cumprimento de uma promessa feita no Egipto, quando cordeiros de um ano,
adultos mas ainda jovens, são mortos, sem que lhes sejam quebrados os ossos,
para a libertação do Povo. “Vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas”. “Nenhum
osso lhe será quebrado”. Paralelismos interessantes, intertextualidades que nos
apontam para este Deus Menino como Cordeiro Pascal, bem latente no Evangelho de
João.
São João Paulo II, na sua
última homilia de Natal, na Missa do Galo de 2004, explicita isto de forma
muito clara e fácil de perceber: “No Filho da Virgem,
«envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12), reconhecemos e adoramos «o Pão descido do céu» (Jo 6,
41.51), o Redentor que veio à terra para dar a vida ao mundo.”
O Natal, ganha, assim,
uma importância ainda maior: é já o Jesus
Escondido que tanto amava o Beato Francisco Marto, pastorinho de Fátima,
que vemos e adoramos naquela figurinha de menino amoroso que colocamos nos
nossos presépios. Este menino é, de resto, aquele de quem Simeão dirá: “Este Menino foi estabelecido para que muitos
caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; –
e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações”. Sinal de
contradição porque morrerá numa cruz, qual criminoso indigente, mas sinal de
contradição porque vencerá a cruz, ressuscitando e deixando no mundo o
sacramento do amor, com o qual alimentará a fé de gerações e gerações de gente
que, n’Ele, por Ele e com Ele, se tornarão Filhos de Deus.
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