quinta-feira, 9 de maio de 2013

O meu sonho...


Peguei num punhado de areia quente na praia. Senti os pequenos grãos a escorregar-me por entre os dedos e suspirei pelo prazer da simplicidade daquele instante. Deixar escorregar aqueles grãos foi começar a cair na conta de que um ano passara e que mais caminho estava feito.

Veio o vento, forte e quente como é próprio de uma verdadeira tarde de verão. A areia não vou... Antes voltou para trás, reequilibrando a queda e enchendo a minha mão. De novo. O vento quente deu lugar a um sopro leve. Uma brisa suave. E o sol, sempre mais quente e mais saboroso, acariciou as minhas costas... Um arrepio de prazer percorreu todo o meu corpo... Como era bom estar ali... E o monte de areia crescia, crescia... na estranha forma de um cubo mais ou menos mal amanhado mas como se dali fosse nascer uma obra de arte... 

E a areia começou a escorregar. A correr para a palma da minha mão, como se a querer dizer a sua pertença à minha pessoa. Sim, ela queria dizer-me que aquele momento era meu. Para sempre. Aqueles grãos de areia formavam o meu castelo de sonho, em que eu era príncipe, ou rei. Rei daqueles instantes que seriam meus pela eternidade fora.

É assim que eu vejo o verão, com as suas férias na praia. Talvez seja por isso, aliás, que gosto tanto de praia e de verão. Porque eu, com a minha história, com aquilo que eu sou, sem mudar nada dos meus projectos nem ambições, posso descalçar-me e entrar praia adentro. E nesse instante, em que começa o meu dia, a minha vida fica em suspenso. Numa espécie de modo Pausa que se diferencia do resto do ano precisamente porque vou estar ali para aproveitar. Aproveitar a beleza da vida, o barulho das ondas e das crianças que brincam, a alegria dos jovens que trocam boladas à beira-mar, o sossego das velhas que fazem croché. 

A minha entrada na praia prolonga-se com um longo passeio pela areia molhada onde o vai e vem das ondas me vai molhando os pés. Raramente fujo. Porque quando a criação me toca, é Deus que me deseja mostrar que mesmo nas férias Ele está comigo. E que castelos na areia têm o seu prazo. Como o meu dia de verão. É bom enquanto dura e suspende. Sim. Mas não anula o que sou nem me pode prender ao momento. Façamos três tendas? Nem Jesus Cristo alinhou...

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