segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

1233


Quando partimos para uma aventura com uma mala cheia de a prioris, quando achamos que somos já maduros o suficiente para não nos deixarmos tocar por determinados acontecimentos, que nos armamos em heróis e que achamos que vamos só ver como é aquilo ou o que é aquilo, e quando aquilo é de Deus, levamos uma coça daquelas que ficamos assim que para o meio perdidos... Sem palavras perante a grandeza de uma Igreja que nós somos e de um Deus que nos quer mais perto ainda. Porque não chega. Porque na nossa vida, algo falha. 
Assim foi comigo. Inscrevi-me porque vi gente feliz há um ano atrás. Inscrevi-me porque a minha vida, embora a priori cheia de Deus já não chegava. Inscrevi-me porque se a priori rezo todos os dias, já não tinha a certeza se rezava ou se debitava coisas que já não sentia propriamente. Inscrevi-me porque se a priori me dou bem com todos, ia sentido que me estava a fechar em mim, como quem se encerra numa daquelas bolhas de ar para não ser tocado por nada nem ninguém. Inscrevi-me porque se a priori não precisava de um primeiro anúncio, afinal um primeiro anúncio podia ser um empurrão para a caminhada que não estava a correr tão bem como eu próprio queria ver e fazer ver. 
Não posso dizer que aprendi muito doutrinalmente. Obviamente que não. Afinal já estou a estudar Teologia há quatro anos. E na verdade, não esperava nada de novo a esse nível. O ponto fundamental do 1233 foi precisamente a capacidade que reencontrei de abrir o coração incondicionalmente. Há muito tempo que não agia assim. Deixei-me guiar pelo desafio de ser um entre mais quarenta e um e de abrir o coração por dentro para que Ele pudesse entrar. Mas mais importante do que isso, abri o coração por dentro para que os demónios que nele vivem pudessem sair para dar lugar a Deus. E não foram eles que saíram! Foi Ele que os expulsou! 
E aí, aí as coisas ganharam um novo sentido. Saí mais feliz. Mais capaz de seguir em frente com aquilo que é o projecto que Ele tem para mim, procurando fazer a Sua vontade com um novo vigor, com uma alegria genuína, mais clara, mais presente. Alguns perguntam-me até nos últimos dias por que razão ando eu tão feliz... Eu respondo com simplicidade que Jesus é muito nosso amigo. E falo da experiência que fiz. E dizem-me que a minha alegria dá vontade de arriscar igual aventura. 
Claro que seria perfeito dizer que os meus demónios fugiram todos, que nunca mais pequei e que as coisas foram resolvidas como por magia. Não foram. Quinta-feira que vem já me confessarei de novo e há matéria. Pecados concretos. O que mudou foi a minha forma de lidar com eles. Não que os desvalorize. Mas valorizo mais a Misericórdia de Deus. Valorizo mais o Amor que Ele me dá, dia após dia, quando me permite acordar e ir à luta, contra mim, contra o meu lado mais negro e mais pecaminoso. Vivencialmente, aprendi a vencer isto tudo com o amor de Deus.
Há então um conjunto de mudanças: rezo mais e melhor, sorrio com imensa frequência, entrego os meus esforços pela minha conversão e pela conversão dos outros, vivo a Eucaristia com outra intensidade, penso mais nos outros e rezo mais pelos outros. No fundo, trara-se de ir colocando Jesus em tudo aquilo que faço. Ou pelo menos ir tentando fazer isso. E o que é certo é que quando faço isso, vou sentindo que as coisas são feitas com mais pureza. Posso, inclusive, afirmar uma coisa. Quando pequei nestas duas semanas, foi sempre que não pûs Jesus no que fiz. Deu asneira. 
Comprometi-me a dar o litro. A rezar mais e melhor, a olhar mais objectivamente para mim mesmo e a "sair da bolha" onde me tinha enfiado, para ir ao encontro dos outros com mais qualidade. Comprometi-me a estudar mais porque "Estudar é servir". E avaliando o percurso do meu quarto dia, vejo com alguma alegria que passos importantes já foram dados. E vejo com muita objectividade que o caminho ainda vai no início e longe de corresponder em tudo àquilo a que me comprometi. Mas os esforços vão dando fruto. Se não dói não presta. Mas o que arde também cura...

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