É uma série de perguntas em que o
silêncio se impõe. Não sei responder. E não adianta tentar desculpar-me porque
objetivamente mais vale calar-me. Mesmo que sabendo que Deus não abandonou
decerto aquele povo nem se distraiu. Será certamente mais um daqueles fenómenos
de que ninguém tem culpa, nem mesmo Deus. Aconteceu. Mas não me queria centrar
aqui porque certamente iria pôr os pés pelas mãos e baralhar mais ainda.
No entanto, não deixo de me
alegrar com os rasgos de esperança que vão aparecendo nas notícias. E esses
para mim são os milagres que Deus vai concedendo ao povo Filipino. Como
concedeu a Haiti ou a outros tantos países assolados por tragédias: no meio de
tanta morte, há sempre a notícia de que uma criança nasceu. E nessas crianças
que nascem no meio da morte, vejo um rebento a surgir numa área que ardeu. Vejo
a luz no fundo do túnel, quando tudo parece escuridão. E agradeço a Deus por
esses sinais que me envia.
O homem sempre caiu e se
reergueu. Ao longo da história, entre guerras, epidemias e fenómenos naturais
como este tufão, muitos foram os que perderam a vida. Momentos dolorosos, em
que nada parecia fazer sentido mas que se revestem de uma certa esperança se olharmos
para a forma como se consegue reerguer uma sociedade que sofreu um drama
destes. Quem dirá, olhando para a cidade de Lisboa que sofreu tão grande
destruição em 1755?
Concluo então que embora me pese
muito o que sucedeu nas Filipinas, não posso não confiar em Deus de que aquele
povo se conseguirá reerguer. A bebé chama-se Bea Joy (Beatriz). Se pudesse dar-lhe um nome, chamar-lhe ia
Esperança. Porque é nela que assenta o meu olhar sobre as Filipinas hoje. A
Igreja reza pelas Filipinas, o Papa já enviou uma avultada quantia de dinheiro
e pede solidariedade efetiva. Nestas coisas, o mundo é capaz de dar as mãos.
Possa ser sempre assim e estou convencido de que nenhum terramoto será
demasiado forte! Porque nestas coisas, ainda que nem sempre se lhe dê este
nome, o amor ao próximo acaba sempre por vencer!

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