quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sobre a tragédia das Filipinas


Há dias da nossa vida em que quando ligamos a televisão ou lemos o jornal (nem que seja na Internet), nos perguntamos como é que Deus permitiu determinadas coisas. É o caso hoje da tragédia das Filipinas. São mortos e mortos, num rasto de destruição. Um acontecimento lamentável e que me levanta, a mim e a ti, uma série de questões: Como é que foi possível? Onde estava Deus?
É uma série de perguntas em que o silêncio se impõe. Não sei responder. E não adianta tentar desculpar-me porque objetivamente mais vale calar-me. Mesmo que sabendo que Deus não abandonou decerto aquele povo nem se distraiu. Será certamente mais um daqueles fenómenos de que ninguém tem culpa, nem mesmo Deus. Aconteceu. Mas não me queria centrar aqui porque certamente iria pôr os pés pelas mãos e baralhar mais ainda.
No entanto, não deixo de me alegrar com os rasgos de esperança que vão aparecendo nas notícias. E esses para mim são os milagres que Deus vai concedendo ao povo Filipino. Como concedeu a Haiti ou a outros tantos países assolados por tragédias: no meio de tanta morte, há sempre a notícia de que uma criança nasceu. E nessas crianças que nascem no meio da morte, vejo um rebento a surgir numa área que ardeu. Vejo a luz no fundo do túnel, quando tudo parece escuridão. E agradeço a Deus por esses sinais que me envia.
O homem sempre caiu e se reergueu. Ao longo da história, entre guerras, epidemias e fenómenos naturais como este tufão, muitos foram os que perderam a vida. Momentos dolorosos, em que nada parecia fazer sentido mas que se revestem de uma certa esperança se olharmos para a forma como se consegue reerguer uma sociedade que sofreu um drama destes. Quem dirá, olhando para a cidade de Lisboa que sofreu tão grande destruição em 1755?

Concluo então que embora me pese muito o que sucedeu nas Filipinas, não posso não confiar em Deus de que aquele povo se conseguirá reerguer. A bebé chama-se Bea Joy (Beatriz).  Se pudesse dar-lhe um nome, chamar-lhe ia Esperança. Porque é nela que assenta o meu olhar sobre as Filipinas hoje. A Igreja reza pelas Filipinas, o Papa já enviou uma avultada quantia de dinheiro e pede solidariedade efetiva. Nestas coisas, o mundo é capaz de dar as mãos. Possa ser sempre assim e estou convencido de que nenhum terramoto será demasiado forte! Porque nestas coisas, ainda que nem sempre se lhe dê este nome, o amor ao próximo acaba sempre por vencer!

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