sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Escrever

Hoje em dia as pessoas têm dificuldades em escavar em si e olhar para si de forma objectiva. Fala-se de tudo, desde coisas mais fúteis a coisas do nosso dia-a-dia, quer no trabalho, na escola, nas relações que estabelecemos mas depois, quando se trata de escavar a sua própria vida para perceber de que tipo de barro somos feitos, somos incapazes. Temos dificuldades em olharmo-nos ao espelho por muito tempo, só o suficiente para arranjarmos o cabelo ou fazer a barba. Mais do que isso é quase um crime para nós porque se prolongamos demais o momento, somos confrontados com o nosso olhar e verificamos o seu estado. E de repente, vemo-nos a entrar na nossa própria alma e imediatamente desviamos o nosso olhar. Hoje é assim, para a maioria de nós.

Penso que escrever ajuda. Pousar a caneta na folha ou os dedos no teclado poderá ajudar-nos nisto. Se escrevermos de forma despretensiosa e gratuita, sem lamechices ou falsidade. Deixar o coração a passear no papel ou no computador, deixar que a nossa mente não hesite em esvaziar-se e a analisar-se. Com o cuidado de só deixarmos à mão dos outros aquilo que queremos. Não sejamos livros demasiado abertos sob o risco de nos prejudicarmos. 

A escrita pode ainda revelar-se como o nosso hobbi. Sim, nós podemos ter gosto o gosto pela escrita! Podemos usar a escrita para passarmos algum tempo. Claro que nem sempre é fácil escrever. O grande drama do escritor, segundo dizem, é a folha em branco. Eu confronto-me com isso. Não saber por onde começar nem sobre o que falar. Nesses momentos, o melhor que faço é simplesmente não escrever. Guardar depois num cantinho qualquer um tema de que me lembre e explorá-lo quando posso. 

Todos nós deveríamos gastar meia hora por dia a produzir texto. E não somente no âmbito do estudo ou so trabalho. Antes sim gratuitamente e porque nos apetece. Porque gostamos disso. Porque a escrita é um refúgio, porque o coração fala quando escrevemos, não há plástico, é tudo certeiro... Quer queiram quer não, escrever, para mim como para outros, é o melhor remédio. Alivia, faz recordar momentos, ajuda a pensar. Sabe bem que se farta!

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