A minha
história vocacional começa mais tarde do que o habitual, quando não pensava já
sequer no futuro que iria ter. O curso estava a terminar, o namoro era já sério
e o estágio estava a correr melhor do que eu próprio imaginaria. Era um rapaz
com vinte e três anos, que gostava de ir a um bar à noite, beber umas cervejas
com os amigos e que tinha planos fixos para o futuro: arranjar trabalho, casar
e ter filhos. Uma vida comum, igual a outras tantas, com Deus em segundo plano,
esquecido no meio de uma vida cheia de coisas mas incompleta, porque assim a
sentia, sem saber o que lhe faltava.
Este
chamamento de Jesus que me convida, me convoca a segui-Lo e a minha consequente
resposta surge do encontro e desencontro com um conjunto de pessoas, em
momentos muito concretos da minha vida, em que fui percebendo, embora começasse
por nega-lo, que a completude que buscava se encontraria nesse seguimento de
Jesus, para perceber o que Ele desejava que fosse a minha vida. Essas pessoas,
foram entrando enviadas pelo Senhor em momentos-chave, marcaram a minha
existência, foram saindo, outras entraram.
Aos vinte e
cinco anos, depois de um curso de Línguas em Coimbra, com um namoro de três
anos e meio relativamente feliz, o meu pároco de então, Pe. Mario Taglialatela,
recém ordenado, convidou-me para fazer um retiro no preciso momento em que me
afastava paulatina e discretamente da Igreja. Uma recusa no Advento deu lugar a
uma promessa para a Quaresma e, tendo-me eu esquecido dessa promessa, acabei
por ser recordado e de me ter deixado levar pela mão de Nosso Senhor, que me
tocou pelas vozes que pregaram esse retiro. Daí em diante, foram várias as
interrogações e os desafios propostos, e a decisão de entrar no Seminário
foi-se tomando, serenamente e à medida das respostas que ia dando a Jesus.
Há três anos e
meio no seminário, vivo este ano pela primeira vez nos Seminário dos Olivais e
tenho estado a acompanhar os Jovens de seis paróquias da nossa Diocese: Sagrada
Família do Entroncamento, Atalaia, Moita do Norte, Vila Nova da Barquinha,
Tancos e Praia do Ribatejo, sob a coordenação do pároco das mesmas, o Pe.
Ricardo Madeira. Tem sido uma aprendizagem muito significativa e de uma beleza
nem sempre fácil de descrever na medida em que há toda uma entrega que é
pedida, semana a semana, tanto a mim como aqueles jovens que têm sede de Jesus
e que aparecem, semana a semana, para rezar. É um exemplo de fidelidade muito
importante. Aliado aos jovens, quer nas Paróquias mais movimentadas quer nas
mais simples e pobres, tenho encontrado gente formidável, que me ensina a ver
na prática o zelo pela igreja, edifício, e pela Igreja, comunidade,
ensinando-me a gratuidade e a generosidade do serviço.
Por outro
lado, esta experiência de pastoral, conjuntamente com a amizade crescente com o
novo pároco da Paróquia de onde sou, o Pe. Luciano Oliveira, assim como com o
meu “prior da pastoral” tem-me ajudado a experimentar a beleza da amizade e
comunhão no presbitério.
Nessa medida,
a caminho para o que Senhor quiser de mim, a Gratidão surge-me muitas vezes
como mote para esta história que Jesus vai construindo, dia após dia, comigo,
com os jovens e adultos com quem me cruzo e com os padres com quem convivo mais
de perto.

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