Jesus
pôs-se com ele a caminho
Este é o primeiro ponto sobre o qual gostava que
refletíssemos hoje. Jesus a caminho com aqueles que se amedrontaram e voltam
para casa. Na verdade, enquanto tiveram segurança e Jesus foi andando com eles,
eles escutaram e maravilharam-se com os milagres de Jesus. Mas de repente, os
discípulos veem Jesus morrer pregado numa cruz. Humilhado, despedido, foi
caminhando com a cruz às costas, quase morto. Chicoteado, titubeante, alvo de
chacota prolongada. E mudo. O silêncio de Jesus pode assustar à primeira vista:
“quem cala consente” diz o nosso povo. Mas a verdade e não me canso de vo-lo
dizer é que o consentimento de Jesus é o consentimento de quem ama e aceita
tudo aquilo porque quer dar a vida por ti, por mim, por todos nós.
Portanto, mesmo quando estes discípulos parecem já não estar
a acreditar em Jesus, é o próprio Jesus que vem ao encontro deles e se põe a
caminho. Porque quer mostrar-lhes que a esperança está viva e que precisa deles
para que a Mensagem que Ele trouxe ao mundo se propague e chegue a todo o lado.
Contudo, e chamo-vos à atenção para isso, Jesus não chega e diz qualquer coisa
como “não estão a ver que eu estou aqui???”. Não, Jesus põe-se a caminho e vai
procurar que eles o reconheçam.
Eles estavam impedidos
de o ver
Mais uma frase estranha no Evangelho. Eles estavam impedidos
de O ver porque a fé não nos deixa ver aquilo em que nós não acreditamos.
Aqueles dois discípulos tinham deixado a sua fé morrer com Jesus na cruz e
voltavam para casa, desalentados. Hoje, acontece o mesmo. A nossa fé ilumina
muitas das coisas que nos rodeiam e é provável que desde que o nosso grupo
existe algumas coisas são vistas por ti com outros olhos. Jesus revela-se à
medida que a tua fé for capaz de O acolher. É isto que é impressionante.
Ao longo do caminho para Emaús (e repara que Jesus não os faz
mudar de caminho, mas vai com eles), Jesus vai explicar-lhes a Escritura. Mais
uma vez, podemos perceber aqui a importância da Bíblia, da Palavra de Deus, que
desce à terra e se revela por amor (conforme nos diz o Concílio Vaticano II).
Há por isso aqui uma transposição importante que não quero
deixar de fazer convosco: Estamos a caminho com Jesus e não o reconhecemos porque
nem sempre deixamos de lado as nossas dúvidas e por vezes até as alimentamos
sem deixar que a Palavra de Deus nos envolva nem nos modifique. Volto a repetir
o que vos tenho dito: não basta vir ao Grupo de Jovens nem até à Missa para ser
Cristãos: é preciso pôr em prática aquilo que Jesus mandou aos seus discípulos:
“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.
Os
olhos abrem-se ao partir do pão
Jovens cristãos que somos, deixando Jesus atuar na nossa
vida, vamo-nos tornando capazes de O ver no dia-a-dia, à luz da Palavra, sim,
mas também à volta do Altar. Reparem na beleza destes momentos em que estamos
juntos a rezar, reparem nos momentos em que multiplicamos o número das pessoas
na Missa, aqui concretamente em Tancos, reparem no significado do nosso momento
junto à cruz.
Quando na nossa oração nos abeiramos desta cruz, quando
reclinamos a cabeça no peito de Jesus, temos a oportunidade de lhe dizer o que
nos vai na alma. Trata-se de um momento de extrema intimidade com Ele. Adorar a
Cruz, adorar este cruxificado quer então dizer que podemos rezar por alguém que
amamos, alguém com quem estamos zangados, pelo nosso grupo…
Os discípulos reconheceram Jesus quando foram capazes de O
reconhecer. Não quando quiseram mas apenas quando puderam olhar para Ele à luz
da fé. Quando conseguirmos chegar todos a essa fé, seremos capazes de ser
aquele Grupo de Jovens onde a união e a verdadeira amizade nos fará perder os
medos e abraçar uma amizade de tal forma sincera que nada mas mesmo nada nos
fará afastar-nos uns dos outros, de tal forma poderosa que cada instante juntos
se revestirá de uma importância tal que veremos a Igreja como nossa, que
reconheceremos Jesus uns nos outros, ao ponto de já nada nos poder separar…
Sim, em cada um de nós, Jesus habita e está pronto a dar-se aos outros. Por
isso repito a minha ideia da reunião passada: somos mãos de Deus, mãos que
devem querer edificar esta Igreja que vamos sendo, mãos que devem querer
servir, segundo a vontade de Jesus. Ele hoje repete-te a ti aquele convite:
“Amai-vos uns aos outros”.
Os
discípulos voltam a correr para Jerusalém.
Não sei se repararam no convite que os discípulos fazem
àquele peregrino que não sabiam ser Jesus: «Fica
connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Naquela
altura, era perigoso viajar de noite. Sem iluminação noturna, os perigos eram
vários, desde mau tempo até aos salteadores que andavam pelas estradas. A noite
era um espaço totalmente obscuro, assustava. Naturalmente, os discípulos que
até simpatizaram com aquele sábio que conhecia as escrituras e lhes falava do
Jesus que eles tinham amado, convidam-no a ficar com eles, para o poupar aos
perigos que a viagem noturna proporcionava.
Mas o Evangelho sugere-nos uma coisa interessante: assim que
Jesus é reconhecido e desaparece, os discípulos correm para Jerusalém, deixando
de lado os medos que a noite lhes proporcionava. Sem medos, porque tinham
reconhecido Jesus, o ressuscitado, sentem necessidade de voltar a Jerusalém
anunciar aos outros o que tinham visto!
É esta atitude que gostava de vos deixar hoje: que tendo
conhecido Jesus, tendo-O visto na vossa vida, sentissem essa necessidade de
falar dele abertamente: na escola, em casa, no desporto. E mais do que isso,
que fossem vivendo a vossa vida marcados por Este Jesus, que vos ama, que
morreu por vocês e que quer muito que sejam jovens felizes, “enraizados e
edificados em Cristo, firmes na fé”. Só assim continuará a fazer sentido a
vossa vida, só assim valerá a pena ser membros deste Grupo de Jovens, sem nome
ainda, mas com uma bela história a ser construída, juntos, no amor de Jesus.

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