
"Queridos amigos, vejo em vós as «sentinelas da manhã» (cf. Is 21, 11-12), nesta alvorada do terceiro milénio. No decurso do século que morre, jovens como vós eram convocados em reuniões oceânicas para aprenderem a odiar, eram mandados combater uns contra os outros. Os diversos messianismos secularizados, que pretenderam substituir a esperança cristã, revelaram-se depois autênticos infernos. Hoje encontrais-vos reunidos aqui para afirmar que, no novo século, não vos prestareis a ser instrumentos de violência e de destruição; defendereis a paz, à custa da própria vida se for necessário. Não vos conformareis com um mundo onde outros seres humanos morrem de fome, continuam analfabetos, não têm trabalho. Vós defendereis a vida em todas as etapas da sua evolução terrena, esforçar-vos-eis com todas as vossas forças por tornar esta terra cada vez mais habitável para todos.
Queridos jovens do século que começa, dizendo «sim» a Cristo, dizeis «sim» a cada um dos vossos mais nobres ideais. Eu peço a Cristo que reine nos vossos corações e na humanidade do novo século e milénio. Não tenhais medo de vos entregar a Ele: guiar-vos-á e dar-vos-á força para O seguirdes cada dia em todas as situações.
Que Maria Santíssima, a Virgem que disse «sim» a Deus durante toda a sua vida, os Santos Apóstolos Pedro e Paulo e todos os Santos e Santas, que assinalaram ao longo dos séculos o caminho da Igreja, vos conservem sempre neste santo propósito!
A todos e cada um, ofereço com afecto a minha Bênção."
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João Paulo II, 19 de Julho 2000, na vigília de Oração em Tor Vergata
O que me comove neste discurso do Papa João Paulo II e o que me levou a escolhê-lo para padroeiro dos meus jovens é a convicção que ele tinha que os jovens podiam mudar o mundo, se quisessem. Ele sabia como falar com os jovens, como estar com os jovens. Era aquela voz que os jovens precisavam para confiar na Igreja.
Não posso negar que me assusta esta coisa de estar uma Igreja onde a pedofilia assombra a história presente, onde há corrupção e ambição política a poluir os cantos que deveriam ser mais brilhantes... Mas por outro lado, tenho esta esperança renovada pelo recém-eleito Papa Francisco que me parece querer santificar esta Igreja, enriquecê-la de pobreza e humildade, sendo o primeiro a dar o exemplo... Nada de cruz de ouro, nada de anel de ouro, rendas e paninhos, só o necessário... Simplicidade, humildade e eficácia... Nada há de mais belo do que o verdadeiro, do que o que é mesmo preciso...
Voltando a este belíssimo excerto do discurso do velhinho João Paulo II, que com as doenças e debilidades deu uma lição de juventude a quem lá estava, gosto de pensar que ele não se cansava nunca dos "seus jovens", em quem depositava confiança no futuro... Ele sabia, já o dissera na carta Dilecti amici em 1985: “A esperança está em vós, porque
pertenceis ao futuro, como o futuro vos pertence. A esperança, de facto, está
sempre ligada ao futuro, é a espera dos bens futuros. Enquanto virtude cristã, torna-se
uma só com a espera dos bens eternos que Deus prometeu aos homens por via de
Jesus. Ao mesmo tempo a esperança. Como virtude quer cristã quer humana é a
espera dos bens que o homem realizará ao usar os talentos que a Providência
lhes deu.
É neste sentido que o futuro vos
pertence, a vós jovens, como pertenceu antes de vós à geração dos adultos e se
tornou o presente com eles. Deste presente, com as suas formas múltiplas e a
sua fisionomia, são os adultos os primeiros responsáveis. Sobre vós recaí a
responsabilidade daquilo que no futuro se tornará presente convosco, um dia,
que hoje ainda é futuro.”
Ele sabia que eram aos jovens que era confiada a missão de tornar o mundo um pouco melhor dia após dia... Ele sabia que conseguiríamos! E por isso sei que Deus o quis a meu lado, a caminhar... Espero ser tão fiel ao Evangelho como ele, espero ser padre e morrer velhinho, com os jovens que tanto amo a rezarem por mim...
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