sábado, 21 de junho de 2008

A carta (de amor)




Meu Deus e meu Senhor,
No meu coração vive uma chama ardente e tem sido deveras complicado perceber o que Tu queres de mim… Tenho estado a rejeitar os convites que me tens enviado nos últimos anos por achar que a minha vida tinha de ser para casar e ter filhos… Para viver uma vida “normal”, onde eu seria um homem que trabalharia e voltaria para casa todos os dias, para junto da minha mulher e dos meus filhos. Hoje, vejo em mim um homem diferente e capaz de aceitar qualquer convite que me estejas a lançar.
Um conjunto de acontecimentos têm estado a mostrar-me como vale a pena ser alguém “diferente”: para quê, Senhor, manter a vontade de ser um ser banal quando Tu tens algo tão especial para me dar… Percebi que não preciso de mulher para ter filhos porque onde quer que vá terei muitos filhos à minha espera. Percebo agora que o carinho e a amizade não me faltarão se Te obedecer e aceitar viver “contigo”. Terei provavelmente momentos de incerteza e de dor durante os quais porei em dúvida a decisão que me preparo para aceitar. Custar-me-á decerto abandonar e ver sofrer a minha namorada quando eu tomar a decisão definitiva de me dar a Ti. Terei muitos momentos de talvezes e de porquês ao longo dos seis anos que durará a minha formação mas terei sobretudo a felicidade de olhar para a minha vida e sentir que sou feliz. E, se, nalgum momento, eu entender que posso estar errado, acredito, meu Pai, que estarás pronto para me apoiar e para me tomares nos teus braços e embalar, até que a dor me passe…
Só me restam alguns medos a eliminar e alguns passos de coragem a percorrer e estarei pronto para deixar a minha terra e ir para onde me indicares pois é contigo que quero ser realmente feliz… Porque te amo e sinto que isso é recíproco…

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