terça-feira, 26 de abril de 2011

Texto meu in UT PALMA (jornal do seminário)

Escola, Educação e Família no Século XXI

Nos nossos dias, e com os moldes actuais de vida da família enquanto instituição, a escola é muitas vezes vista como pólo principal na educação das gerações mais novas. Em muitas famílias, com os pais a acumular empregos para poder manter um nível de vida mais ou menos adequado às necessidades dos filhos, a preponderância na educação foi (ainda que não numa consciência total) relegada nos professores, não só do saber dito científico em si, mas também do saber-ser e do saber-estar.

Se, por um lado, a escola aparenta ter essa capacidade, a verdade é que esta questão traz consigo alguns riscos, devidos não só à melting-pot de culturas que hoje forma a nossa sociedade, como também à multiplicidade de religiões e correntes de espiritualidade que existem e, ainda, à crescente crise de valores que enfrentamos nos nossos dias, em que uma suposta laicidade se vai instalando nas escolas. E isso reflecte-se nas ideias que a escola dos nossos dias veicula: basta recordar a chuva de questões que alguns professores levantaram quando saiu o famoso Código Da Vinci, de Dan Brown, e às quais não respondiam, deixando, por isso, confusa a maioria das nossas crianças. E é aqui que entramos enquanto cristãos, cabendo-nos não só o papel de responder às questões dos mais novos, mas também e sobretudo na educação preventiva que visa filtrar os ensinamentos transmitidos às crianças na escola, através duma maior capacidade de procura de esclarecimento junto de pais, catequistas e sacerdotes.

Tema recorrente dos nossos dias é, sem dúvida, a “educação sexual”, que parte da ideia segundo a qual os nossos miúdos devem saber tudo sobre a reprodução humana e os respectivos meios contraceptivos, com grande destaque para o uso do preservativo. E isso sem ter sequer em conta aquilo que é, para a maioria dos pais, a moralidade. Por isso coloco o termo aspas na expressão, perguntando-me se não será antes uma deseducação sexual aquela que invade as nossas escolas.

Recentemente, houve no Pavilhão do Conhecimento uma exposição sobre o tema, em que crianças do primeiro ciclo do ensino básico (em bom português, da Primária) tinham acesso a conteúdos de “educação sexual”. Além das salas onde o visitante podia visitar a exposição com os miúdos que levava, havia uma área interdita a adultos, para que as crianças “perdessem as inibições”! E a exposição lá teve grande afluência, patrocinada por pais que, ou levaram directamente os filhos, ou assinaram passivamente o papel que autorizava a criança a ir a essa dita visita de estudo, muitas vezes desconhecendo até o conteúdo da exposição que os educandos iriam visitar.

Se é certo que acredito que há falta de informação no que concerne a este assunto, questiono-me quanto à razão pela qual isso acontece: ou porque de facto há falta de catequese sobre o assunto ou porque as pessoas relativizaram o assunto e não procuram esclarecer-se junto da Igreja. Ora, isso parece-me lamentável na era em que as Tecnologias da Informação nos disponibilizam todo o tipo de documentos que a Igreja lança nas mais diversas áreas.

Mas que parte de “culpa” têm os pais na má educação sexual que a escola veicula? Atentemos então no que diz a Doutrina Social Igreja sobre o papel dos pais na (agora sem aspas, porque verdadeira) educação sexual dos filhos:

“243 Os pais têm ainda uma particular responsabilidade na esfera da educação sexual.

É de fundamental importância, para um crescimento equilibrado, que os filhos aprendam de modo ordenado e progressivo o significado da sexualidade e aprendam a apreciar os valores humanos e morais relativos a ela: «Pelos laços estreitos que ligam a dimensão sexual da pessoa e os seus valores éticos, o dever educativo deve conduzir os filhos a conhecer e a estimar as normas morais como necessária e pré ciosa garantia para um crescimento pessoal responsável na sexualida- de humana».

Os pais têm a obrigação de verificar o modo como se realiza a educação sexual nas instituições educativas, a fim de garantir que um tema tão importante e delicado seja abordado de modo apropriado.”

Face ao texto atrás transcrito (em particular à parte que sublinhei), creio que é possível dizer que cabe a nós, cristãos, vestir a camisola da moralidade e da educação das jovens gerações, para que possamos não só educar com princípios morais mas também lutar para que nas nossas escolas se ensinem os preceitos de uma vida moral adequada à Fé que professamos.

E isto não concerne somente à educação sexual. Diz respeito à tolerância e ao amor ao próximo. Se lermos com atenção outros pontos da Doutrina Social, veremos o quão importante é o papel dos pais na educação dos filhos. E a exemplo disso, deixo mais um ponto que poderá elucidar-nos sobre este assunto:

“239 A família tem um papel de todo original e insubstituível na educação dos filhos. O amor paterno e materno, colocando-se ao serviço dos filhos para extrair deles («e-ducere»[conduzir para fora]) o melhor de si, tem a sua plena realização precisamente na tarefa educativa: «o amor dos pais de fonte torna-se alma e, portanto, norma, que inspira e guia toda a acção educativa concreta, enriquecendo-a com aqueles valores de docilidade, constância, bondade, serviço, desinteresse, espírito de sacrifício, que são o fruto mais precioso do amor». O direito-dever dos pais de educar a prole se qualifica «como essencial, ligado como está à transmissão da vida humana; como original e primário, em relação ao dever de educar dos outros, pela unicidade da relação de amor que subsiste entre pais e filhos; como insubstituível e inalienável, e portanto, não delegável totalmente a outros ou por outros usurpável».

Os pais têm o direito-dever de oferecer uma educação religiosa e uma formação moral aos seus filhos: direito que não pode ser cancelado pelo Estado, mas deve ser respeitado e promovido; dever primário, que a família não pode descurar nem delegar.”

Ora, isso pode passar por cada um de nós, no trabalho ou no nosso círculo de amigos, arriscar perder o medo de falar no assunto e lutar pelo amor de Cristo que remiu o mundo com o sangue derramado na Cruz.

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