Dia 2 no Fim-do-Mundo. O meu colega tem algum receio em lá ir. Eu nem por isso. Hoje, fizemos a viagem a pé. Sem ninguém a meter-se connosco. Como eu já esperava. À chegada, um compasso de espera: as crianças ainda não chegaram da escola. Quando chegam, ui... que festa! "Luís, hoje vai ser você a dar-nos explicação?" Sim, era eu. Euforia geral, mas minha e deles. Afinal, aqueles meninos de ninguém (o de alguém, graças a Deus)parecem gostar de mim. E eu deles. Noto em alguns uma carência afectiva enorme.
Ajudo no lanche. Um iogurte e umas bolachas a cada um. Os bolos de arroz que vieram do Banco Alimentar já estão secos demais para serem servidos. Ainda assim, eles perguntam por eles. E comem. Porque em casa, bolos de arroz deve ser coisa rara. E eu penso... Eu nunca comprei nenhum bolo de arroz. Porque, digo eu "não gosto..." Mas os meninos do fim do mundo comem-nos... secos...
Finalmente, chega a minha vez de entrar em cena. Explicações. Descubro que já não sei fazer contas de dividir. :blush: Uma monitora do ATL explica-me... E aí vou eu por os meninos a fazer contas... E ensino mais umas coisas sobre o sistema digestivo... Aí, outra conclusão, o servo de Deus tem de saber de tudo para O servir... Até de Matemática de Primeiro Ciclo e de Estudo do Meio... É giro e vale a pena pensar nisso.
Depois da explicação, outra parte que em muito me traz prazer... jogar Monopoly com um jovem. Ele afirma ter 17 anos. Não lhe dou mais de 15. Diversão. De repente, olho para o relógio e apetece-me parar no tempo... São 18h15, hora de saída... O regresso é a pé e a Missa do Seminário começa às 19h00... De sorriso rasgado regresso a casa... Com a firme ansiedade que volte a próxima semana para amar os meninos de ninguém, os pequeninos de Deus...
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