
Hoje resolvi dar um aspecto diferente ao meu blog... Decidi que mudaria porque estou em fase de mudança... Estou num ano de viragem e, ano novo vida nova oblige, está mais do que na altura de alterar alguns aspectos da minha vida... Por isso, começar pelo blog pode ser um bom princípio...
Sinto-me livre ao ponto de querer dar-me. Há uns meses atrás, dizia a alguém que no alcancei a liberdade no dia em que me entreguei. A Deus, obviamente. Vivo num curioso estado de felicidade e só me sinto bem no Pedrógão, onde mergulho de cabeça em duas coisas que adoro: vida comunitária e oração. Esta entrega a Jesus, este não querer que a semana demore a passar porque de Quinta a Domingo encontro razões para ir ao Pedrógão junto daquele pastor que tanto e tanto me ensina, mesmo, e ele sabe que é verdade, se tem de me "dar na tola" porque não tomei a melhor decisão.
Tenho procurado isolar-me de certa forma do mundo que me rodeia para me aproximar desse Jesus que me diz, em segredo, que tem segredos para partilhar comigo, que espera que eu vá ter com ele e que me entregue de coração aberto...

Há dias, falava com uma amiga, que também lê este blog, e disse-lhe que tinha voltado a Coimbra e que tinha sentido saudades... É verdade, senti saudades de Coimbra mas o facto é que só senti saudades porque lá estive. Mas estando cá, Coimbra está quase "inacessível" pelo que percebo que posso viver sem ela. Também sei que lá voltarei, sempre que a saudade apertar...
Hoje, percebo também que aquela cidade já pouco tem para me dar. Vejamos: os meus amigos foram para casa, os meus caloiros estão a terminar o curso, os meus professores já tiveram outros alunos, o meu curso deixou de existir e alguns até se foram embora... A cidade e os tempos mudaram, e a saudade é, na verdade, dos tempos antigos e esses, nem que quisesse, não os poderia viver de novo... Coimbra tem mais encanto na hora da despedida... No coração fica a saudade... do que não virá de novo porque pertence a um passado do qual me vou desligando. Com Saudade mas sem mágoa porque de nada me arrependo dos seis anos que lá passei...
Sentes que um tempo acabou,
Primavera de flores adormecida.
Qualquer coisa que não volta que voou,
Que foi um rio, um ar na tua vida.
E levas em ti guardado
O choro de uma balada,
Recordações de um passado,
O bater da velha cabra.
Capas negras de saudade,
No momento da partida.
Segredos desta cidade
Levo comigo para a vida.
Sabes que o desenho do adeus
É fogo que nos queima devagar
E, no lento cerrar dos olhos teus,
Fica a esperança de um dia aqui voltar.
E levas em ti guardado
O choro de uma balada,
Recordações de um passado,
O bater da velha cabra.
Balada de despedida do v ano jurídico 1989
(Rui Lucas - António Vicente / João Paulo Sousa)
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