A minha embarcação começa agora a estar pronta para largar as amarras e fazer-se ao largo, nas águas límpidas e vivas que jorram de Cristo e que levam a Ele.
Antes de me fazer ao largo, devo dizer que, no trigal da minha vida, passou, há já algum tempo, como que uma ceifeira que colheu tudo o que havia a recolher para me preparar para a viagem. Só restava o restolho, pedaços de nada aos quais me queria agarrar e que associei mais tarde a tudo aquilo que hoje tenho e quero deixar para trás para seguir nesta fantástica aventura para a qual fui convidado. Bocados de chumbo que me impediram de avançar em tempos remotos mas que me ajudaram a erguer e a manter-me de pé durante os anos em que decidia se aceitaria ou não o convite que me fora lançado. Pessoas ou coisas a quem devo muito mas que tenho de abandonar em prol dAquele que me proponho hoje seguir. Esse Jesus que me falou, me chamou e seduziu, ao longo dos vinte e quatro anos que tenho de vida e que me convidou a conhecer de perto alguns dos seus segredos e, quiçá, a dedicar-lhe uma vida inteira. Ora, e porque Deus manda que o amemos somente a Ele e acima de todas as coisas. Quando percebi que Ele seria persistente a vida toda se não aceitasse aceitar que me lembrei desse primeiro mandamento. Hoje, e de plena consciência, eu respondo com a mesma simplicidade e a mesma humildade de Maria: “Faça-se segundo a Sua vontade”.
“Em terra”, deixarei pessoas que amo profundamente. Levá-las-ei junto a mim, na certeza de que, volte mais cedo ou mais tarde, tê-las-ei à minha espera no cais e que essas pessoas me acolherão com um sorriso de orelha a orelha e com aquele abraço que me vai fazer tanta falta. E, no dia do meu regresso, sei que o amor que sinto por essas pessoas e que elas têm por mim continuará intacto, protegido pelo amor desse Pai que me chama agora à sua presença, para me dizer o que deseja de mim…
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